A primeira vez que pensei em criar um lugar para registar aquilo que escrevo foi ainda em casa dos meus pais. Numa altura particularmente especial – quando escrevia muito.
Confesso que não guardei nada. Escrevia em páginas soltas, ao acaso, e depositava-as na estante do meu quarto à espera de arrumação. Imaginava sempre um lugar especial que fosse capaz de nortear as minhas palavras, e pensamentos, e de transformá-las nas nossas palavras, e nos nossos pensamentos. Um lugar meu que fosse nosso.
Não o encontrei.
Continuei a escrever, vida fora, em páginas soltas que voam por aí; e demorei quase metade da minha vida a chegar aqui.
A nossa evolução para um mundo global do imediato e da informação dispersa, e permanente, constitui a figura de um enorme desafio nas nossas escolhas diárias, ao minuto.
Fui seguindo o meu caminho e vim parar a este lugar doce, como o mel. Um lugar que tem mais o objectivo das soluções duradouras e da firmeza do carácter; e menos das soluções rápidas e das influências imediatas.
É um lugar mais “do que somos ” e menos “do que dizemos”.
A benevolência, a simplicidade, a paciência e a modéstia são doces como o mel. E digam o que disserem é a forma privilegiada de adoçarmos a vida de boa vontade e entusiasmo.
Conciliar palavras escritas, e pensamentos, ao norte dos nossos corações e sentido é a doce missão da Gota de Mel:
“Uma doce reconciliação com a vida e com os outros”.
(Frase da sugestão do ilustre Manuel Fonseca: pessoa que admiro, diligente e simples. A sua sabedoria, gentileza e generosidade têm o poder de uma Gota de Mel)